Sexo. Relacionamento e práticas sexuais entre lésbicas

Casais com qualquer orientação sexual são formados para satisfazer algumas ou todas as necessidades a seguir: alimentação, abrigo, segurança, expressão sexual, companheirismo, status social, realização, amor e afeição e autopreenchimento. A natureza e o grau de compromisso do relacionamento variam de casal para casal. Os relacionamentos homossexuais, como os arranjos heterossexuais, são diversos. Podem ou não envolver a vida sob o mesmo teto; podem ou não envolver exclusividade; podem ou não ser exclusivos de envolvimento heterossexual formal ou informal. Podem ser para a vida toda, por curto tempo, em série ou entre outros relacionamentos. A característica de definição é que os indivíduos se identifiquem como casal. Alguns casais formalizam a relação através de cerimônias religiosas ou seculares, bem como através do reconhecimento legal limitado dos casais homossexuais que existe em algumas áreas.



O casal homossexual começa com algumas oportunidades singulares. Enquanto homens e mulheres nos relacionamentos heterossexuais têm uma certa latitude em sua aceitação de identidades e comportamentos normativos específicos do sexo, os membros dos relacionamentos homossexuais realmente podem fazer escolhas mais conscientes de independência, competitividade, distância emocional, exploração, afeto, manutenção da relação, expressão de vulnerabilidades e outros atributos relacionados aos casais. Pelo menos nas sociedades ocidentais contemporâneas, os casais homossexuais têm mais probabilidade de fazer escolhas explícitas referentes à quantidade e à qualidade de contato permitida com outros indivíduos, etiqueta, divisão de trabalho e estilos de vida. Ademais, o casal homossexual, mais que outros, desenvolve uma estratégia e conjunto de táticas para lidar com o mundo exterior, que pode ser estéril, hostil e nocivo, bem como para possuir oportunidades, apoio e proteção.

Embora cada casal homossexual seja peculiar, algumas generalizações se aplicam e são pontos de início úteis na avaliação de casais específicos. Não é surpreendente que os casais de gays e lésbicas difiram entre si de maneiras características, exibindo os casais gays comportamentos masculinos mais tradicionais e os casais de lésbicas exibindo mais características associadas a mulheres em outros contextos.

Comparados os casais de lésbicas, os gays tendem a dar maior ênfase ao contato genital, têm atividade sexual mais freqüente, ligações mais frouxas entre sexualidade e envolvimento emocional e intimidade, menos exclusividade nos relacionamentos, maior preferência por autonomia e mais inclinações exploratórias. Estudos anteriores sobre relacionamento homossexual masculino enfocavam a recreação descompromissada, e não relacionamentos íntimos duradouros. Pensa-se atualmente que os homens homossexuais assumam padrões mais recreacionais do que os homens heterossexuais, as mulheres homossexuais ou as mulheres heterossexuais. Conquanto um grau de espírito de aventura sexual possa ou não ser problemático para o casal, os relacionamentos sexuais fora do casal podem trazer tensão ao relacionamento.

Questões referentes ao risco da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) são outra fonte de tensão para o casal, especialmente quando um parceiro tiver o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e o outro não, ou quando um parceiro tiver mais riscos de adquirir o HIV fora do relacionamento.

A forma mais freqüente de atividade homossexual masculina é a felação e a masturbação; o intercurso anal ocorre muito menos freqüentemente. A freqüência de praticas sexuais de alto risco entre os homens homossexuais, como o intercurso anal não protegido e ter múltiplos parceiros, tem mudado em resposta à preocupação generalizada com o HIV. A princípio, o medo parecia motivar as práticas sexuais conservadoras. Mais recentemente, contudo, as práticas se tornaram menos conservadoras, pois o evitar temeroso deu lugar a uma postura descuidada com os possíveis riscos de uma contaminação. Conquanto todos os casais finalmente devam encarar a perspectiva de declínio funcional e doença terminal, a epidemia de HIV/AIDS tem feito muitos casais de gays encarar estas questões prematuramente.

Os casais de lésbicas tipicamente expressam características femininas, incluindo menor ênfase no contato genital, diminuição mais rápida da freqüência do contato sexual, maior ênfase na intimidade emocional e afeto, mais exclusividade nos relacionamentos e maior inclinação para estabilidade no longo prazo dos relacionamentos. Muitas mulheres homossexuais têm relacionamentos heterossexuais, casamentos e filhos. Algumas mulheres retornam aos relacionamentos heterossexuais após a dissolução de um relacionamento lésbico.

As formas predominantes de atividade sexual entre as lésbicas são estimulação orogenital e manual-genital ao orgasmo. A auto-estimulação freqüentemente é o método preferido. O uso de pênis artificial, a estimulação anal e outras práticas são infreqüentemente usadas. Orgasmo infreqüente ou ausência absoluta de orgasmo é o que uma minoria de lésbicas experimenta. Compromisso e compatibilidade são pelo menos tão importantes quanto a atividade sexual e o orgasmo. Parece que a freqüência da atividade sexual em casais de lésbicas declina, em maior grau, do que nos casais com pelo menos um homem.

No passado, casais homossexuais costumavam viver juntos, mas não exibiam publicamente sua relação como meio de evitar discriminação. Muitos casais agora vivem abertamente e reivindicam a legitimação de seu relacionamento através de casamento simbólico, várias formas de união legal e criação de filhos. O casamento homossexual tem sido reconhecido por numerosas religiões e instituições políticas. Além disso, um recente caso judicial em Nova Jersey estabeleceu o direito de os parceiros homossexuais terem nomes de casados, o que invalidou a política estadual sobre o contrário. A determinação do juiz incluiu o reconhecimento específico da legitimidade das uniões estáveis com o mesmo sexo.

À medida que os casais do mesmo sexo se tornam mais abertos sobre seu relacionamento, a criação de filhos se torna cada vez mais desejável e possível. Os casais homossexuais costumam ter filhos de casamentos anteriores. Ademais, os casais de lésbicas estão engravidando e tendo crianças através de vários outros arranjos, assim como os casais heterossexuais inférteis. A adoção é outro caminho para ter filhos que casais de gays e lésbicas podem preferir. Os direitos de adoção estão sujeitos a regras legais e burocráticas, regulamentos e administração. Por estas razões, os direitos de adoção são o foco de intensa luta para controle da agenda moral nos Estados Unidos. Para homossexuais, a adoção é o meio de satisfazer desejos de ser pais e um meio de afirmar o status social.

Casos referenciais estão estabelecendo o direto de adotar. Por exemplo, em decorrência de um caso judicial não contestado, a província de Nova Scotia, Canadá, está revisando suas leis para permitir a adoção por pais do mesmo sexo. Como o governo era contra um requisito de casamento para os pais adotivos, a nova lei da província possibilita a casais não casados de qualquer gênero se candidatarem à adoção.